Ajudando Mulheres a Serem Donas do Seu Destino!

A Comunicação Não Violenta Salva Relacões?

Como Você Pode Usar o Mesmo Processo de Diálogo Usado Contra Terroristas no Oriente Médio Para Salvar Seu Relacionamento?

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Você já ouviu falar sobre comunicação não violenta?

Esse poderoso conceito em desenvolvimento por Marshall Rosenberg foi usado com sucesso na mediação de conflitos na Cisjordânia, no Oriente Médio, na Nigéria e em outros países “violentos”.

Se essa ferramenta foi boa o suficiente para fazer “terroristas” chegarem a acordos, imagina o que não fará pelos seus relacionamentos, sejam eles amorosos, profissionais ou familiares.

Já reparou como as brigas, intrigas e demais problemas de relacionamentos em sua maioria vêm de problemas de comunicação?

E se você pudesse resolver isso com técnicas simples nesse exato momento?

É exatamente essa a proposta deste artigo. Veremos:

  • Do que trata a Comunicação Não Violenta.
  • Como funciona o processo de comunicação não violenta.
  • Tipos de comunicação que bloqueiam a compaixão.
  • A importância da observação sem avaliação.
  • Como identificar e expressar sentimentos.
  • Como nos tornar responsáveis pelo que sentimos.
  • Como pedir algo a alguém e ser atendida.
  • Como transmitir empatia para outras pessoas.

Caso esteja interessada em um forma de melhorar sua comunicação, leia esse artigo até o final.

1. Do Que Trata a Comunicação Não Violenta?

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A comunicação não violenta trabalha com a absorção de atitudes positivas ante as adversidades da vida, no lugar das atitudes negativas que temos.

A maioria das nossas palavras são carregadas de dor, ódio e violência para com os outros ou para com nós mesmas, o motivo disso é que aprendemos a ser assim desde pequenas.

A CNV nos leva a trocar a hostilidade pela clareza, e a raiva pela honestidade, possibilitando uma conversa empática para ambas as partes.

As tradicionais posturas acusativas e defensivas são minimizadas e podemos olhar as demandas dos outros e as nossas por um novo enfoque, pois ao invés de julgar e diagnosticar, poderemos observar e conectar.

A grande vantagem da Comunicação Não Violenta é que as outras pessoas não precisam conhece-la para que ela faça efeito.

Basta que sigamos os conceitos e a mágica acontecerá, independente da boa vontade do outro lado.

Vamos entender o processo da Comunicação Não Violenta?

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2. O Processo da Comunicação Não Violenta

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A comunicação não violenta trabalha com 4 componentes básicos que são inseparáveis do processo de comunicação:

  • Ações concretas que observamos e que nos afetam.
  • Como nos sentimos em relação ao que observamos.
  • As necessidades, valores e desejos que geram os sentimentos.
  • As ações concretas que pedimos para enriquecer nossa vida.

Um exemplo para ilustrar:

Seu namorado deixou a pia uma bagunça, cheia de louças sujas. Na Comunicação Não Violenta, a forma de falar com ele seria a seguinte:

“Amor, quando eu vejo a pia cheia de louça suja, fico irritada, pois preciso de limpeza e ordem para me sentir bem no espaço que usamos em comum. Poderia lavar a louça suja por favor?”

Note que não houve julgamento e não houve acusação.

Há apenas uma pessoa expressando o que vê, o que a visão faz ela sentir, quais necessidades ela tem devido a esses sentimentos e um pedido para suprir essa necessidade.

Antes de entrarmos a fundo nas técnicas, vamos entender um pouco sobre como nossa comunicação impede a compaixão.

3. A Forma de Comunicação Que Bloqueia a Compaixão

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Marshall chegou a conclusão de que algumas formas de comunicação nos impedem de criar compaixão. Ele usa a expressão “Comunicação alienante da vida” para se referir a elas.

Veja que formas são essas abaixo:

Julgamentos Moralizadores

Esse tipo de comunicação entende que há algo como naturalmente errado e maligno nas pessoas, quando não agem de acordo com nossos valores.

Exemplos são frases como “Ele é burro.” “Ele é preguiçoso.” “Isso é impróprio.” “Ele é mais inteligente que você.” e similares.

Culpa, insulto, depreciação, rotulação, comparação e diagnósticos são todos formas de julgamento moralizador.

A dicotomia “certo-errado” naturalmente causa os julgamentos e eles por sua vez nos impedem de ser compassivas.

Note que toda a atenção está em classificar, analisar e determinar os erros dos outros com base nos nossos próprios valores.

Quando nos expressamos dessa forma, obtemos do outro lado uma postura defensiva.

Quando usamos a força para explorar culpa, medo ou vergonha, as pessoas sentem-se mal e nos associam com os maus sentimentos causados pela demanda.

Isso inclusive pode fazer com que elas fiquem cada vez menos sensíveis à nossas necessidades.

No livro, Marshall deixa claro que “juízos de valor” são diferentes de “julgamentos moralizadores“.

Um juízo de valor fala sobre o que admiramos na vida, como liberdade, paz, sabedoria.

Os julgamentos moralizadores dizem respeito às pessoas.

Ele também fala sobre como na mídia em geral, os heróis são vistos como bons e os vilões como maus.

Já percebeu que a narrativa sempre é mostrada de forma a criar no público ódio para com o vilão e compaixão para com o herói?

Você já se sentiu ansiosa para ver o vilão ser moído na pancada pelo herói? Vibrou com a morte de Ramsay Bolton em Game of Thrones, né? (Segura esse Spoiler aí.. kkkkkk)

Esse sentimento vem da dicotomia “certo-errado”.

Comparações

Em um artigo anterior eu falei sobre um exercício para exemplificar como comparar-se é nocivo e prejudicial.

Uma comparação não deixa de ser um julgamento.

Ela bloqueia a compaixão por nós mesmos e pelos outros.

Negar a Responsabilidade

Os nazistas fizeram muitas coisas que repudiamos, isso é inegável.

No livro Eichmanm em Jerusalém escrito por Hanna Arendt, a autora relata que os oficias dos campos de concentração usavam uma linguagem que focava na negação de responsabilidade.

Termos como “São ordens superiores”, “Tive de fazer isso” “Não tinha escolha”, “Era o que mandava a lei” e outros parecidos tiravam a responsabilidade de costas deles e as jogam para terceiros.

Para a Comunicação Não Violenta, Sempre que jogamos a culpa dos nossos atos para

  • Forças vagas impessoaisTive que fazer isso”, “Fui tomada por um desejo incontrolável de puxar um beck
  • Diagnósticos, histórico pessoalBebo porque sou alcoólatra
  • Ações de terceiros.Bati nela porque ela roubou meu namorado
  • Ordens de autoridades. “Meu pai mandou eu fazer”, “Essa é a lei, tenho que multá-lo.
  • Pressão social ou de grupos.Não gosto de trabalhar, vou porque sou mãe de família”, “Fumo porque minhas amigas fumam

estamos negando nossa responsabilidade.

Crenças de Merecimento

Ao dizer: “Fulana merece ser feliz” ou “Beltrana tem mais é que se fuder, mesmo” estamos julgando o que cada pessoa merece com base em nossos valores.

Punições e recompensas causam antagonismo e bloqueiam a compaixão.

Na visão Marshall e da comunicação não violenta, essas são as principais formas de comunicação alienantes da vida.

Vamos finalmente estudar como usar a CNV na vida e nos relacionamentos afetivos.

Começaremos entendendo “Como observar sem avaliar”.

 

4. A Importância de Observar Sem Avaliar

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Lembra dos 4 componentes da Comunicação Não Violenta?

O primeiro é observar o que acontece e é sobre isso que este trecho do artigo falará.

Costumamos observar e avaliar ao mesmo tempo. Para a CNV, é fundamental que não misturemos as duas coisas.

Quando misturamos as duas coisas, as pessoas sentem-se criticadas e criam resistência ao que pedimos.

Krishnamurti certa vez disse que:

Observar sem avaliar, é a forma mais avançada de inteligência humana.

Você talvez tenha pensado: “Isso é besteira” ao ler essa frase, pois bem, acabou de fazer uma avaliação…

Exemplos de Comunicação Com e Sem Avaliação

Veja a tabela abaixo, onde são listadas alguma formas de observação com e sem avaliação:

Comunicação Observação com Avaliação Observação Sem Avaliação
Usar o verbo “Ser” sem indicar a pessoa que é responsável pela avaliação “Você é generoso demais.” Quando vejo você abrir mão do seu almoço em prol dos outros, acho que está sendo generoso demais.”
Uso de Verbos com tom de avaliação “Você vive deixando tudo para depois” “Você só estuda na véspera das provas.”
Pensar que só há uma possibilidade. “Ele não passará na prova. Sem chance dele ser aceito.” “Acho que ele não passará na prova. Talvez não o aceitem.”
Previsões não são certezas. “Se você não tomar nosso suplemento, sua saúde ficará prejudicada.” Temo que sua saúde fique prejudicada por não tomar nossos suplementos.”
Não ter especificidade ou usar generalismos. Os árabes são todos loucos que não respeitam as mulheres. “Vi na TV uns 15 homens árabes falando que mulheres servem apenas para procriar.”
Indicar habilidades sem deixar claro que é uma avaliação “A Luciana não pega ninguém. Ela é muito ruim em seduzir.” “Fazem 3 anos que não vejo a Luciana com um homem.”
Uso de advérbios sem deixar claro que é uma avaliação particular. “Lúcio é feio. Ele fede.” “A aparência de Lúcio não me atrai e não gosto do cheiro dele.”

O uso de sempre, jamais, nunca e similares também merece cautela:

Você nunca me leva para sair.

Você sempre me acusou sem ter provas

São diferentes de:

Faz 6 meses que não saímos juntos…

Já perdi a conta de quantas vezes você me acusou sem ter provas.

A Comunicação Não Violenta exige prática constante, policie-se para evitar julgamentos nas suas conversas e encontros.

Essa postura por si só já possibilitará melhorias surpreendentes no seu relacionamento com qualquer pessoa.

Faça o exercício abaixo para começar a praticar.

Observação ou Avaliação?

Para entender seu nível de capacidade em separar avaliação de observação, marque quais das frases abaixo indicam uma observação sem uma avaliação embutida:

(Esse exercício é um trecho do livro original “Comunicação Não Violenta: Técnicas Para Aprimorar Relacionamentos Pessoais e Profissionais” de Marshall B. Rosenberg)

  1. Ontem, João estava com raiva de mim sem nenhum motivo.
  2. Ontem à noite, Lúcia roeu as unhas enquanto assistia à TV.
  3. Marcelo não pediu minha opinião durante a reunião.
  4. Meu pai é um homem bom.
  5. Maria trabalha demais.
  6. Luís é agressivo.

Gabarito:

  1. Sem motivo” e “Com Raiva” são avaliações.
  2. Ok. Não há avaliação.
  3. OK. Não há avaliação.
  4. Homem bom” é uma avaliação.
  5. Demais” é uma avaliação.
  6. Agressivo” é uma avaliação.

O próximo item da CNV é a capacidade de identificar e expressar nossos sentimentos de maneira profunda. Essa parte fará com que nossa personalidade fique evidente aos olhos da outra pessoa.

Veremos isso no próximo tópico. Inclusive, o descrito abaixo é muito útil em situações de ciúmes.

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5. Como Identificar e Expressar Sentimentos

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O segundo componente da CNV é expressar os sentimentos que temos ante as situações que observamos.

Para a psicologia moderna, uma pessoa só é madura quando consegue diferenciar os sentimentos em várias nuances.

Já percebeu que temos muitas palavras para rotular as pessoas e poucas para expressar o que sentimos?

Isso ocorre por que ninguém liga para o que o outro está sentindo e somos estimulados a esquecer até mesmo os nossos próprios sentimentos.

Repare como sempre nos pegamos pensando o seguinte sobre a maioria das coisas:

O que será que eles acham que é certo dizer ou fazer?

Há uma certa confusão na nossa linguagem com relação a sentimentos.

Estamos acostumadas a usar o verbo “sentir” sem realmente sentir algo. Veja um exemplo:

“Sinto que não consigo conquistar um homem devido à minha abordagem.”

Sinto poderia ser trocado por “creio”, “penso”, “acho”

De acordo com Marshall, não há expressão de sentimentos quando a palavra sinto vem acompanhada de:

  1. Termos como que, como, como se:
    Sinto que você deveria ser a melhor da sala.”
    Sinto-me como uma derrotada, tenho muita ansiedade…”
    Sinto como se eu estivesse namorando com uma parede.”
  2. Vocábulo que seguido de pronomes (eu, tu, ele, nós, vós, eles, isso, etc…):
    Sinto que eu tenho que fazer tudo pelo nosso relacionamento.”
    Sinto que isso é inútil… sempre que discutimos é a mesma coisa…”
  3. Vocábulo que seguido de substantivos que se referem a pessoas:
    Sinto que André irá concordar com a nossa viagem…”
    Sinto que meu chefe não vai me liberar mais cedo hoje…”

O Engano na Expressão “Sinto que”

Quando estamos realmente expressando um sentimento, não precisamos usar “sentir” e suas variações. Ao invés de dizer:

“Estou me sentindo irritada“.

Basta dizer:

Estou irritada.

Veja exemplos de como a Comunicação Não Violenta trata pensamentos e sentimentos:

Sinto que sou uma péssima advogada“.

Aqui temos uma avaliação ou julgamento quando usamos péssima e o uso de sinto que deixa isso claro.

Estou desapontada comigo mesma como advogada.

Sinto frustração comigo mesma como advogada.

Estou insatisfeita comigo mesma como advogada.

Aqui sim, temos expressões de sentimentos verdadeiros.

É comum fazermos isso para avaliar o comportamento dos outros com base nos nossos valores:

Sinto-me incompreendida pelo meu marido.

Percebe que aqui temos uma adivinhação, a mulher supõe que seu marido não a compreendeu, sem ao menos ter perguntado isso a ele.

Uma boa substituta para incompreendida seria aborrecida.

Sinto-me ignorada pelo meu marido.

Novamente temos uma advinhação. A mulher supôs que seu marido a ignora.

Uma solução seria dizer:

Fico triste quando meu marido faz parecer que está me ignorando.

A dica aqui é evitar generalismos e partir para a especificidade, lembre-se de que clareza é um dos pilares da Comunicação Não Violenta.

Há algumas palavras interessantes para enriquecer seu vocabulário de sentimentos. Considere usar seus antônimos também para expressar emoções negativas.

Absorta Agradecida Aliviada
Alerta Alegre Amorosa
Ávida Bem-humorada Carinhosa
Confiante Contente Curiosa
Emocionada Entretida Entusiasmada
Esperançosa Excitada Feliz
Generosa Gratificada Interessada
Maravilhada Motivada Otimista
Satisfeita Segura Serena
Útil Vigorosa Viva

Há muitas outras palavras, mas não as listarei aqui.

Basta seguir o conceito básico para encontrá-las: “Distingua sentimentos de pensamentos, avaliações e interpretações.

Agora falaremos sobre auto responsabilidade, porém, veremos isso com relação aos nossos sentimentos.

Quando reconquistar um homem, por exemplo, lembre-se de aplicar o descrito abaixo para não perdê-lo de novo.

 

6. Como Usar Uma Comunicação Que Nos Torna Responsáveis pelo Que Sentimos?

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O filósofo grego Epicteto disse certa vez:

As pessoas não são perturbadas pelas coisas, mas pelo modo que as vêem.

E não poderia ter sido mais claro. Basicamente sofremos devido às nossas interpretações do que vemos.

Na Comunicação Não Violenta e na Psicologia Moderna, a visão geral é que o que as pessoas dizem e fazem são os estímulos, mas nunca a causa dos nossos sentimentos.

Marshall é categórico ao afirmar que sempre que ouvimos uma mensagem negativa, temos 4 formas de recebê-la:

1. Tomar Como Pessoal, Escutar Apenas a Crítica e Culpar a Nós Mesmas

No exemplo abaixo, isso ficará mais claro.

Suponha que você está zangada e seu namorado lhe diz

Você é a pessoa mais egocêntrica que eu conheço.

Usando esse modo de recepção, você pensará:

É verdade, eu deveria ser mais sensível.

Ao aceitar o julgamento da outra pessoa, você danifica sua auto estima, pois é levada a sentir culpa ou vergonha.

Isso é muito prejudicial para seu relacionamento a longo prazo. Fatalmente levará ao término.

2. Tomar Como Pessoal, Escutar Apenas a Crítica e Culpar a Outra Pessoa

No mesmo exemplo, uma segunda reação à expressão do namorado seria:

Você não tem o direito de me dizer isso. Tudo que faço é por nós. Você que é o egocêntrico aqui.

Nesse caso, sentiremos raiva da outra pessoa, o que pode levar ao desgaste do relacionamento.

3. Iluminar Nossa Mente a Respeito dos Nossos Sentimentos e Necessidades

Usando ainda o exemplo do egocentrismo que demos anteriormente, poderemos reagir às palavras do namorado da seguinte forma:

Quando ouço você dizer que sou a pessoa mais egoísta que você conhece fico triste, pois necessito de algum reconhecimento pelos meus esforços para que a nossa relação dê certo.

4. Iluminar Nossa Mente a Respeito dos Sentimentos e Necessidades da Outra Pessoa.

Uma resposta que certamente levaria a conexão entre você e seu namorado para o próximo nível, seria:

Você está magoado porque precisa que eu considere mais as suas prefrências?

Veja que assumimos a responsabilidade e reconhecemos nossos próprios desejos e expectativas “por tabela”.

Espero que esse item tenha ficado bem claro para vocês, a ideia é entender que quando usamos frases do tipo

Mamãe fica triste quando você joga a comida no lixo

Estamos deixando claro para a criança que a ação dela causou nossos sentimentos.

Seria melhor usarmos algo como:

“Mamãe tem uma necessidade de ver você bem alimentado e saudável. Por isso ela insiste tanto para que você coma toda a comida.

Aqui, fica claro que o problema é todo nosso e tentamos fazer a criança ver como nos sentimos.

Qual das duas abordagens funcionará causando menos danos à sua relação com seu filho?

Não devemos assumir a culpa pelos sentimentos das outras pessoas e nem querer que elas assumam a culpa pelos nossos.

Isso fatalmente tornará o relacionamento uma prisão e levará para um agravamento da situação, até que comecemos a sentir raiva da outra pessoa, pois estamos sempre nos sentindo culpados pelo que ela sente.

É como se o relacionamento virasse um fardo muito pesado. Muitos relacionamentos acabam apenas pela não observação deste conceito simples.

Aplicando a comunicação não violenta, podemos nos libertar emocionalmente e nos preocuparmos mais em entender as necessidades de ambos os lados da relação para resolver os problemas.

De nada adiantará entendermos o que nós e as pessoas sentem e desejam se não soubermos como pedir isso a elas e é sobre isso que falaremos no próximo tópico.

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7. Como Pedir Algo a Alguém e Ser Atendida

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Na PNL, há um conceito de “sempre dizer o que você quer e não o que você não quer.” Na Comunicação não violenta, esse conceito é válido também.

Se eu lhe disser; “Não pense em um elfante rosa com bolinhas amarelas.” O que seu cérebro fará?

Ele pensará no elefante e em seguida tentará não pensar nele.

É por esse motivo que dizer o que você não quer é ruim.

O exemplo que Marshall dá em seu livro sobre Comunicação não violenta é o de uma mulher que disse ao marido:

“Não quero que você passe tanto tempo no trabalho.”

Após 3 semanas, ele anuncia que havia se inscrito em um torneio de golf.

Corremos esse risco ao dizer o que não queremos. Não seria melhor se ela tivesse dito:

Preciso passar mais tempo com você, sinto saudades. Por favor, deixe um pouco o trabalho para ficar comigo?”

Marshall defende que

Formular pedidos em linguagem clara, positiva e de ações concretas revela o que realmente queremos.

Que tal aprender a fazer pedidos que funcionam?

Fazendo Pedidos Conscientemente

A ideia geral é sempre comuniccar o que sentimos e necessitamos antes do pedido. Isso gerará empatia.

Por isso esse é o quarto item da CNV.

Vou dar 3 exemplos abaixo, use sua criatividade e entenda os conceitos para criar as suas próprias maneiras de pedir dádivas às outras pessoas:

Amor, eu preciso me sentir mais próxima de você e passar um tempo a sós contigo. Vamos ao parque esse final de semana?

Amor, me fico com muita ansiedade com toda essa roupa suja aqui e estou atrasada para uma reunião, Poderia colocá-la para lavar pra mim, pois não vai dar tempo de eu fazer isso agora…

Amor, quando vejo você atender o celular longe de mim sinto desconfiança e penso que você está me enganando com outra mulher. Você não poderia atender perto de mim para me ajudar com esse problema?”

Veja que há uma observação, seguida do que eu sinto, deixando bem claro que a culpa do que eu sinto é minha e por fim há o pedido.

Após usar as dicas podemos querer perceber o que a outra pessoa ouviu de nós.

Começaremos entendendo o que a pessoa sentiu com nosso pedido.

Podemos perguntar algo como:

“Gostaria que me dissesse como se sente a respeito do que disse a pouco.

Para entender o que a pessoa pensou, usaremos algo como:

Me diga o que você acha do que acabei de lhe pedir.

Agora, para saber se a pessoa fará o que pedimos, podemos usar variações de:

Gostaria que me dissesse se fará isso por mim…

É importante tambem deixar clara a diferença entre pedidos e exigências:

Pedidos vs Exigências

Sempre qua a outra pessoa se sente culpada, ela entende seu pedido como uma obrigação ou exigência.

Diante disso, só há duas opções: Submissão ou Rebelião.

Nenhuma das duas é benéfica para o longo prazo do relacionamento.

Para entender se fizemos um pedido ou uma exigência precisamos ver qual a nossa resposta caso a pessoa discorde de nós.

Esse exemplo é tirado do livro:

J: “Me sinto solitário. Gostaria que saíssemos essa noite.
M: “Estou muito cansada, João. Porque você não chama um amigo para sair com você hoje?
J: (Vira de costas sem dizer nada)
M: “Algo está lhe aborrecendo?
J: “Não
M: “Vamos, João, sei que há algo acontecendo. Me diga qual seu problema.
J: “Você sabe que me sinto solitário. Se me amasse mesmo, sairia hoje comigo.”

O que percebemos no caso de João? Ele interpretou a resposta de Maria como falta de amor da parte dela.

Logo, seu pedido, embora feito dentro dos moldes da CNV, se tornou uma exigência.

Quanto mais exigimos algo de alguém, menos estima temos da parte dela.

O caso de José seria realmente um pedido se a resposta final fosse algo como

Então você está se sentido exausta e precisa descansar essa noite?

Dependendo da resposta de Maria, ele poderia marcar outro dia com ela, ou mesmo sair com alguns amigos.

Uma dica bônus aqui é: Tente fazer as pessoas lhe ajudarem por livre e espontânea vontade, sem pressionar.

Frases como: “Você poderia levar o lixo para fora, por favor” São muito mais eficientes que “Gostaria que você levasse o lixo para fora, por favor

A primeira frase é muito mais empática que a segunda. Um bom relacionamento é baseado em sincridade e empatia. Isso é o cerne da CNV.

Basicamente essa é a maneira ideal de fazer e responder a pedidos. Evite levar as coisas para o lado pessoal.

Aplicando tudo isso, você notará uma melhora significativa nos seus relacionamentos.

No tópico seguinte, veremos como receber as coisas de forma empática, outro pilar da Comunicação Não Violenta.

8. Recebendo as Dádivas dos Outros Com Empatia

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Quando as pessoas atendem nossos pedidos, nossa vida se enriquece.

O mínimo que podemos fazer por essas pessoas é ter empatia para com elas e atendê-las quando possível.

Estar presente no momento de forma empática é ouvir algo com todo o nosso ser, com a mente livre e vazia, sem preconceitos e julgamentos.

É comum queremos dar conselhos ou encorajamento quando as pessoas vêm até nós, mas, elas realmente querem isso?

Será que a necessidade dela não é apenas ser compreendida?

Frases do tipo:

  • Acho que você deveria…
  • Porque você não faz isso…
  • Isso não é nada, você não sabe o que aconteceu comigo…
  • Se você olhar por outro lado, isso pode ser positivo, veja que…
  • Não foi sua culpa, você deu seu melhor…
  • Anime-se, não se sinta mal.
  • Oh, que pena…
  • Eu teria feito isso, mas...”
  • Quando foi que isso começou?

não causam empatia, apenas nos impedem de sentir o que a outra pessoa necessita.

Não somos obrigadas a consertar o mundo.

Não somos obrigadas a fazer as pessoas sentirem-se melhor.

Essa ânsia causa a desconexão empática entre as pessoas, assim como a compreensão puramente intelectual.

Há uma técnica muito boa para isso logo abaixo.

A Técnica de Parafrasear os Outros

Podemos simplesmente repetir a mensagem da outra pessoa de modo a entrar mais profundamente nela. (Sem maldade, garotas… kkk)

Veja um exemplo. Seu namorado chega dizendo:

Caralho, Raquel… Você vai sair de novo? Onde você vai tanto com essas suas amigas? Já foi antes de ontem, ontem e hoje de novo?

Você pode entender qual a necessidade dele respondendo algo como:

Você se sente mal por me ver sair de noite?

O namorado então responderá algo como:

É no mínimo estranho. Se coloca no meu lugar. Tô afim de ficar um pouco com você e você me trocando pelas suas amigas.

Raquel então diria algo como:

Você sente-se solitário e quer que eu fique com você à noite. É isso?

Resposta do namorado:

Ufa! Até que enfim você entendeu. Você está me traindo?

Raquel poderia encerrar a conversa com:

Essa semana realmente tá muito complicada, preciso ir nas palestras para entender melhor como funciona esse negócio.
Que tal fazermos algo bem legal esse final de semana? Prometo que serei toda sua…
Ou então, você pode passar no meu serviço no almoço para conversarmos, o que acha?
Melhor ainda, você vem me buscar e eu durmo na sua casa, amanhã você me leva no trabalho…

A resposta seria algo como:

Tá bom, vai… Mas você vai ser todinha minha? Toda mesmo? Tenho alguns planos para você… kkkkk

Percebe como Raquel se conectou e entendeu o que o namorado sentia antes de dar uma resposta?

O namorado sentiu-se entendido e Raquel deixou claro o motivo de não poder ficar à noite com ele, ao dar algumas opções, ela mostra que entende a necessidade do seu parceiro.

Use essa técnica com cuidado, ela somente funciona quando há necessidade de mais compaixão e entendimento.

Ao usá-la, também é importante carregá-la com emoções conforme o padrão da Comunicação Não Violenta.

Por trás de uma mensagem difícil, sempre há uma pessoa pedindo que satisfaçamos alguma de suas necessidades.

Percebemos que uma pessoa recebeu nossa empatia quando há um alívio de tensão ou uma diminuição no fluxo de palavras que ela diz.

É mais difícil ter empatia com pessoas que parecem ter mais poder, status ou recursos que nós, mas ainda assim é possível.

 

A Comunicação Não Violenta na Prática

O diálogo abaixo mostra uma situação pela qual Marshall passou ao lidar com um conflito entre gangues.

“Uma vez mostrei minha vulnerabilidade a alguns membros de uma gangue… meu desejo de ser tratado com mais respeito.

“Ei, olhem” – um deles observou – “ele está magoado; coitadinho!” – e então todos os colegas começaram a rir em coro.

Se […] eu tiver uma imagem de que estou sendo humilhado […] posso me sentir […] amedrontado demais para poder entrar em empatia.

Depois de descobrir as necessidades que haviam sido despertadas em mim […] eu estaria então pronto para retornar e oferecer minha empatia ao outro lado. […]

Em vez de julgá-los por me ridicularizarem ou me tratarem desrespeitosamente, concentrei-me em escutar o sofrimento e as necessidades por trás daquele comportamento.

MG: “Ei, o que você está nos dando é um monte de bobagens! Suponha que haja membros de uma outra gangue aqui, eles tenham armas e você não. Você diz para simplesmente ficarmos parados e conversarmos com eles? Que besteira!

MR: “Então parece que vocês estão realmente fartos de aprender coisas que não têm nenhuma relevância nessas situações?

MG: “É, e se você morasse neste bairro, saberia que isso é um monte de bobagens.

MR: “Então vocês precisam ter certeza de que alguém que lhesensine alguma coisa tenha conhecimento do seu bairro?

MG: “É isso mesmo. Alguns daqueles caras detonariam você antes que pudesse soltar duas palavras de sua boca!

MR: “E você precisa ter certeza de que alguém que tenta lhes ensinar algo compreenda os perigos que existem aqui?

[…] Isso continuou por 45 minutos, e então percebi uma mudança: eles sentiram que eu os estava realmente compreendendo.

Um conselheiro do programa notou a mudança e perguntou a eles em voz alta: “O que vocês acham desse homem?” O rapaz que me causara mais dificuldades respondeu:

“Ele é o melhor palestrante que já tivemos”.

Espantado, o conselheiro se virou para mim e sussurrou: “Mas você não disse nada!”

Na verdade, eu havia dito muita coisa, ao demonstrar que não havia nada que eles jogassem em cima de mim que não pudesse ser traduzido em sentimentos e necessidades humanos e universais.

O que escrevi neste artigo é apenas a ponta do Iceberg e mesmo assim ele tem 4.600 palavras.

No livro, que tem mais de 65 mil palavras, Marshall entra mais a fundo no assunto.

Você também pode assistir um seminário que o próprio Marshall deu sobre o assunto. A Playlist se encontra abaixo: (Não esqueça de apertar o botão que ativa a legenda, caso não domine o idioma inglês).

Concluindo

Vimos como a CNV nos permite uma conexão íntima e verdadeira com as pessoas.

Ela também nos permite lidar com a raiva, com a dificuldade em perdoar a nós mesmos e aos outros e como usar a força para nos proteger.

Há dicas de como dar conselhos empaticamente e como agradecer as pessoas de uma maneira que as façam desejar nos ajudar cada vez mais.

Em tempos de redes sociais, está cada vez mais difícil ter uma conexão real com as pessoas ao nosso redor. Espero ter ajudado nisso com esse artigo.

Realmente esse livro foi uma das minhas melhores aquisições.

Você pode encontrá-lo na loja da Amazon, por exemplo.

E você? Já usa algum dos conceitos da CNV na sua vida? Quais os resultados? Que experiências vocês têm com ela?

Caso haja interesse em uma segunda parte deste artigo abordando esses últimos conceitos, deixem um comentário abaixo.

Beijos e compartilhe com suas amigas.

Xau.

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